quinta-feira, 19 de maio de 2011

Urbanismo


Cabras de serviço

A Câmara de Guimarães soltou o rebanho, em nome da Ecologia.
Quando os caprinos comem, os espaços públicos ficam limpos.

Cabras de serviço
JC
Isto não é uma iniciativa tonta, o que tem é uma componente de
intervenção criativa." António Magalhães, presidente da Câmara vimaranense,
 não achou graça ao tom jocoso do comunicado dos vereadores do PSD que,
"embora não dominando a disciplina de Zootecnia", questionaram o Protocolo
 das Cabras. O projeto prevê a aquisição de nove caprinos, por cada uma das
 12 juntas de freguesia que celebraram o acordo, a fim de procederem à
limpeza dos espaços públicos, e está incluído no Mapa 2012, um programa
 de valorização do Património, Mobilidade Urbana e Ambiente.
Por agora, as juntas de freguesia ainda procuram quem queira pegar no
cajado e vestir a pele de pastor. Conceição Castro, autarca de Aldão,
explicou à VISÃO que, "se isso não for possível, a tarefa terá de ficar a
 cargo de algum funcionário da junta".
O part time prevê, também, a elaboração de um relatório trimestral,
complementado por fotografias, a dar conta da área limpa pelos caprinos.
 Isto, apesar de não constar do contrato um rendimento mínimo por cabeça
 de gado.
De resto, a ideia nem sequer é original. Em 2009, a Google contratou 200 cabras,
 para tratarem da limpeza dos terrenos em volta da sede da empresa, em Mountain
View (EUA). O objetivo, disseram responsáveis da companhia, era "evitar os
 barulhentos corta-relvas que usam gasolina e poluem o ar". Ainda assim, a utilização
 dada às cabras não escapou às críticas da PETA, conhecida organização de defesa
 dos direitos dos animais, que se mostrou preocupada com o facto de a Google "não
 providenciar água em quantidade razoável nem meios de transporte suficientemente
 confortáveis".
Em resposta, a empresa argumentou que até cumpria mais do que estava no contrato,
fornecendo às cabras "um almoço orgânico gratuito"...
in Visão Verde Online

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Notícia

Cientistas americanos descobrem uma acumulação de resíduos de plástico no norte do oceano Atlântico

 A densidade de pequenos pedaços de plástico é equivalente à da chamada “Grande Mancha de Resíduos do Pacífico” e os seus efeitos são ainda desconhecidos, embora se saiba que a ingestão por aves marinhas é prejudicial para os animais.

A acumulação de resíduos de plástico em alto mar é um fenómeno conhecido sendo particularmente famosa uma mancha de resíduos alegadamente do tamanho do Texas que se encontra à deriva no Oceano Pacífico.
Agora, cientistas americanos vêm dar a conhecer um caso semelhante mas no Oceano Atlântico. Com efeito, cientistas da Sea Education Association (SEA) levaram a cabo um estudo ao longo de 20 anos que revelou que existe uma acumulação de resíduos de plástico no Atlântico Norte.

Ao longo de duas décadas, foram recolhidas amostras de água através arrastamento por uma embarcação de uma rede parcialmente submersa, naquele que é o estudo mais longo e mais vasto sobre os resíduos à deriva.
Dos 6100 “arrastos” realizados nas Caraíbas e no Atlântico Norte, ao largo dos Estados Unidos, metade revelou a presença de pedaços de plástico na superfície marinha, a maior parte com menos de 1cm de diâmetro.

Segundo explica Karen Lavender, da associação SEA “Mais de 80% dos pedaços de plástico que recolhemos em arrastos encontravam-se entre os 22 e o 38 graus norte”, uma zona onde os resíduos se parecem acumular.

A máxima densidade destes pedaços de plástico registada foi de 200 000 fragmentos por quilómetro quadrado, o equivalente à densidade máxima da “Grande Mancha de Resíduos do Pacífico”, esclarece a investigadora.

O tamanho exacto desta mancha de fragmentos de plástico permanece por determinar, bem como os seus efeitos no ambiente. No entanto, explica Karen Lavender “sabemos que muitos organismos marinhos estão a consumir estes plásticos, o que é prejudicial no caso particular das aves marinhas”.

Aproveitamento de resíduos

Cientistas americanos criam bola de golfe a partir de resíduos de “casca” de lagosta

  

A bola é constituída por resíduos da produção de enlatados de lagosta e também por um material biodegradável que serve como ligante e como revestimento. Para além de "amiga do Ambiente" esta bola é económica já que a sua produção custa apenas 19 cêntimos de dólar americano contrastando com o 1 dólar das bolas convencionais.

Uma equipa de engenheiros químicos da Universidade do Maine, Estado que é o principal produtor de lagosta dos EUA, encontrou uma maneira de valorizar os resíduos da indústria de enlatados do crustáceo que normalmente são enviados para aterro.

Os investigadores utilizaram restos de “casca” de lagosta moída e um material biodegradável que serve como ligante e revestimento para criar uma bola de golfe “amiga do Ambiente”, que pode ser usada na prática do Golfe em cruzeiros sem colocar em causa a segurança da fauna marinha, que é prejudicada pelo resíduos de plástico que poluem os oceanos do planeta.

A inovadora bola, que pode ser usada tanto com drivers como com ferros embora não voe  tanto como as bolas convencionais, é ainda extremamente económica uma vez que a sua produção apenas custa 19 cêntimos de dólar americano, em contraste com o custo de quase 1 dólar das bolas de golfe vulgares.

 

 

 

Clima

Buraco na camada do ozono sobre o Ártico atinge níveis históricos

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) anunciou, no dia 5 de Abril, em comunicado, que a camada de ozono sobre o Ártico registou perdas de 40%, desde o início do inverno até ao final do mês de março.

A OMM revela que "observações feitas a partir do solo, por balão na zona sobre o Ártico, e de satélite revelam que a camada de ozono apresenta uma perda de cerca de 40 por cento entre o início do inverno e o final de março. A maior perda de ozono de que se tinha conhecimento era de aproximadamente 30%, em todo o inverno".

Apesar do Protocolo de Montreal, assinado pela maioria dos países do mundo, para banir substâncias poluentes que destroem a camada de ozono - como os clorofluorcarbonetos (CFC's) - estas substâncias ainda estão presentes em grande quantidade na atmosfera. Foi a conjugação destes compostos com temperaturas muito baixas, ao nível da estratosfera, que provocou esta redução recorde.
O organismo especializado das Nações Unidas para as questões do clima, referiu ainda que "embora o grau de destruição da camada de ozono no Ártico, em 2011, seja inédito, já era previsível".

quinta-feira, 10 de março de 2011

Iluminação Verde

Cultivar as cidades

As hortas comunitárias conquistam as cidades e ganham novos ocupantes. Visitámos três hortas urbanas, duas em Lisboa e outra no concelho de Cascais, e descobrimos quem são estes "agricultores das horas vagas".

OUTEIRO DE POLIMA, CASCAIS
A HORTA DO MONTE

 








Quando pensamos em hortas, o nosso pensamento afasta-nos das grandes cidades e projeta-nos para as aldeias. Descobrimos, agora, que estes novos espaços de cultivo existem bem perto dos residentes de Lisboa e de Cascais. Estão "escondidos " no meio dos prédios das novas urbanizações, como é o caso da Horta de Outeiro de Polima (na freguesia de São Domingos de Rana, Cascais), na movimentada zona da Graça ou inserida no Parque Monteiro-Mor, que pertence ao Museu Nacional do Traje, em Lisboa.
Com diferentes ambientes e regras de funcionamento próprias, em todas elas encontramos utilizadores de todas as idades e ocupações profissionais, que têm em comum a forte motivação e amor à natureza.
Aqui, a falta de experiência na área da agricultura não é suficiente para os afastar das enxadas e das foices, seja no verão seja nos dias mais frios do inverno. Mais do que aquilo que retiram da terra (que todos confessam ser um complemento saudável à sua alimentação), trocam-se conhecimentos, experiências e combate-se o stresse. Sem dúvida, um lugar de trabalho mas também de convívio.

VIDEO

 

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Números a ter em conta!

28% Valor em que, na Europa do Norte, a agricultura biológica se superioriza, em ralação à produção convencional, na retenção de carbono no solo.

7.7 Milhões de hectares de produção biológoca na Europa dos 27

11% Percentagem de redução das emissões de gazes com efeito de estufa, se ocorresse uma significativa mudança mundial para a agricultura biológica

25% Média anual de crescimento da produção biológica na Europa, entre 1990 e 2000

€33 (milhões) Valor actualmente movimentado pela agricultura biológica, em mais de 120 países.

1 600 Número de produtores biológicos em Portugal

15% Estimativa máxima do crescimento anual do mercado de agricultura biológica

€18 (milhões) Volume de vendas de produtos bio, em 2008, na União Europeia

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Iniciativas Ecológicas

Aprende a Cuidar...
Se gosta de plantas aromáticas e medicinais inscreva-se num curso sobre esta temática, organizado pela Quinta da Gruta, na Maia (T:22 986 71 80)
 


Compostagem
Aprenda a fazer compostagem dos seus resíduos orgânicos, reduzindo a emissão de gases com efeito de estufa, no curso de compostagem caseira organizado pela LIPOR. Tem a duração de três horas e no final ainda leva para casa um compostor. 
 
Mais informações em http://www.lipor.pt/.

 
Oficinas de Alimentação Vegetariana Natural
Pedro Jorge Pereira já foi cozinheiro em restaurantes como o Nakité, no Porto, ou o Daterra, em Matosinhos. Desde 2007, este ecologista social, como sendefine, que tambem é cozinheiro profissional, faz oficinas de alimentação vegetariana natural em alguns espaços do Grande Porto. Todas as oficinas têm uma vertente teórica, em que procura contrariar preconceitos sobre este tipo de alimentação (não despende muito tempo, ne,m requer ingredientes complicados, explica ele) e outra práctica, onde os participantes aprendem e executam pratos vegetarianos.
 
Mais informações em http://segredosdahorta.blogspot.com


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

"A Verdade sobre os Alimentos Biológicos" in Visão Verde, por Luísa Oliveira

São melhores para a saúde? Porque custam mais caro? Têm, mesmo, melhor sabor? Quem os controla? Até que ponto se revelam amigos do Ambiente? E quanto vale já este mercado, que cresce exponencialmente em Portugal? Dossiê completo, com as respostas essenciais que precisa de conhecer.

 

 

 Hora do almoço, na mais recente padaria biológica de Lisboa. Quinoa fica na Rua do Alecrim, descendo do Chiado para o Cais do Sodré. Passando uma porta de vidro, sentese o cheiro a pão, nota-se que as mesas pretas estão todas ocupadas. Ouve-se, por entre os acordes de jazz que saem das colunas, falar inglês. Avança um grupo de engravatados, logo seguido de uma mão-cheia de jovens fashion. Na ementa, diversas sandes e tostas, de pão biológico, está claro. A sala seduz há, ali, uma harmonia entre a traça antiga e a decoração que obedece às linhas limpas da modernidade.

Com a agricultura biológica acontece o mesmo. Inspira-se na forma tradicional de cultivo, recorrendo a novas tecnologias e a conhecimentos agronómicos revolucionários.
A procura de produtos saídos desta equação aumenta exponencialmente, atraindo uma mancha cada vez mais diversificada da população, como se pode observar naquela padaria, quase restaurante. Para fazer face à situação, tem-se verificado, nos últimos anos, em Portugal, o crescimento acelerado da produção em modo biológico, à imagem de Espanha e da Grécia. Atualmente, 6,3% da área cultivada, no nosso país, não leva químicos uma percentagem acima da média europeia, que se fica pelos 4,2 por cento. "Uma parte importante desta dinâmica de desenvolvimento deve-se aos apoios dados a este tipo de cultivo, através da Política Agrícola Comum da União Europeia [UE]", lê-se num relatório da Comissão, de fevereiro do ano passado, dedicado à análise do setor.
Em 1993, Portugal apresentava uns meros 3 mil hectares de área de cultivo biológico. Em 2007 (últimos dados disponíveis), já eram trabalhados mais de 233 mil hectares, segundo dados da UE. Números que ficam a milhas de Itália, a recordista, que, naquele ano, somou mais de um milhão de hectares limpos de pesticidas. O nosso crescimento avalia-se ainda pelo salto de 73 agricultores, em 1993, para praticamente 2 mil. Em quatro anos (2004-2008), quase duplicou o número de produtores de animais, passando de 446 para 792.

28%
Valor em que, na Europa do Norte, a agricultura biológica se superioriza, em relação à produção convencional, na retenção de carbono no solo. Em todos os outros países do Velho Continente, recentemente analisados pela britânica Soil Association, a percentagem comparativa é de 20% no mesmo sentido 

LOJAS COMO COGUMELOS
Até 2006, só existia um supermercado especializado, na área de Lisboa, junto do aeroporto de Figo Maduro, para satisfazer os consumidores. Mas a Biocoop, a cooperativa que o inaugurou, em 1993, sempre se destinou apenas a sócios. Desde esse ano, e indo atrás da onda da procura, tem aberto mais de uma grande loja por ano, só na capital. O Brio de Carnaxide, em Oeiras ( já existe outro em Campo de Ourique, Lisboa), foi o último a estrear-se, em novembro passado. Com o apoio do The Edge Group, de cujo capital Paes de Amaral detém 50%, estão prometidas mais três inaugurações na zona de Lisboa. A próxima está para breve, na Lx Factory. A grande loja recém-inaugurada, com 400 metros quadrados, tem amostragem diferenciada e, embora apresente uma extensa variedade de produtos (mais de 6 mil), tenha cartão-cliente e entregas ao domicílio, não cheira a supermercado. Leem-se frases sobre os benefícios da agricultura biológica nas paredes, há frutos secos a pedirem para serem provados, frutas abertas para não enganarem ninguém, e um ambiente tranquilo. Também é possível tomar uma refeição ligeira, constituída por sopa, sandes (de pão ali fabricado), salgados e doces. Outro lugar para satisfazer quem anseia por refeições isentas de químicos, à hora do almoço.

Portugal não dispõe de dados sobre os consumidores destes produtos, mas Jaime Ferreira, presidente da Associação Portuguesa de Agricultura Biológica (Agrobio), sente-se à vontade para afirmar que a procura já é maior do que a oferta, sobretudo no que toca a fruta e legumes. As pastagens e o olival ocupam as nossas maiores áreas de produção. Apesar de todos os avanços, ainda se registam 50% de importações, muitas delas de França, Alemanha ou Reino Unido, os três maiores mercados da UE. Consultando os seus 5 300 associados, Jaime Ferreira consegue dizer que as vendas já terão atingido 10 milhões de euros. Uma migalha nos mais de 120 países onde existe este tipo de fabrico alimentar, o mercado da agricultura biológica movimenta cerca de 33 milhões de euros, com mais de 35 milhões de hectares cultivados em todo o mundo, por 1,4 milhões de produtores.

7,7
milhões Hectares de produção biológica na Europa dos 27, representando, apenas, 4,2% do total da área agrícola. Em 2007, estimava-se que houvesse 187 mil explorações 

UM SUCESSO CHAMADO MIOSÓTIS
Graça Castanheira, 48 anos, documentarista, acaba de encher a bagageira do seu carro com alimentos biológicos. Saiu carregada de um dos supermercados Miosótis, que fica junto da Gulbenkian, em Lisboa. Eis uma cliente habitual, daquelas que Ângelo Rocha, o proprietário, trata por tu. "Há 20 anos que consumo apenas estes produtos. No início, não era fácil, só encontrava vegetais", conta a cineasta. Para ela, macrobiótica, trata-se de uma prioridade, já que considera que "na industrialização se utilizam químicos, derivados do petróleo, muitíssimo prejudiciais ao organismo. Sei que a minha qualidade de vida está muito melhor, desde que fiz esta opção". O preço não a incomoda: "Um pacote de tiras de milho pode custar três vezes mais do que um de batatas fritas, mas eu como um terço. Sou disciplinada em relação à comida." E previne-se, poupando nas contas do médico. Aproveita, habitualmente, a hora do almoço para as compras, duas vezes por semana. Quando as despacha, sentase à mesa da cafetaria e prova a sopa, naquele dia de ervilhas, a que, normalmente, soma uma sande, rematando com uma fatia de tarte ("Está ótima", exclama).

Ali ao lado, no supermercado, continua o entra-e-sai. Mais mulheres do que homens, comprovando que são elas quem decide o que pôr na mesa lá de casa. Ângelo nem parece estar a trabalhar. Fala do tema com a paixão de um pioneiro que anda nisto há 25 anos. Durante uma década foi produtor, num terreno perto de Sintra. Primeiro, transacionava com as grandes superfícies, depois passou à venda direta, informal. Também teve uma banca, nas feiras de Carcavelos e de Cascais. Isso antes de fundar, com outros sócios, a Biocoop, e de estar na génese das associações Agrobio e Interbio. Há três anos, abriu a primeira loja Miosótis, na Óscar Monteiro Torres, ao Campo Pequeno, em Lisboa. "Ao fim de um ano, já tínhamos superado as expectativas. E como lá não havia armazém, nem zona de descargas, decidimos abrir outro supermercado, com talho e cafetaria." Hoje, passam pelos dois lugares cerca de 650 pessoas por dia.

11%
Percentagem de redução das emissões de gases com efeito de estufa, se ocorresse uma significativa mudança mundial para a agricultura biológica
 
COMIDA EXÓTICA
Há um ano, Kattia Hernandez, mexicana residente em Portugal desde 2003, descobriu o mundo biológico. A cada dia que passa, abre mais o leque das suas compras. Começou pela comida do México, agora rende-se ao requeijão, ao tomate, à abóbora, aos iogurtes, à carne, às bananas. "Noto diferença no sabor. Os alimentos são muito mais frescos." Pedro Lopes, 41 anos, comercial e instrutor de tai chi, partilha da mesma opinião, enquanto vai enchendo o seu cesto de iguarias: "As frutas são mais pequenas e feiinhas, mas o sabor é genuíno." Pedro atravessa a cidade, uma vez por semana, para se abastecer na Miosótis, pois o seu consumo alimentar atinge os 90% de biológicos. A variedade de produtos originais funciona também como um chamariz. Nos escaparates deste supermercado e de outros do mesmo género encontram-se vários tipos de tomate, por exemplo, rebentos de beterraba ou couve roxa, pastinacas, couve romanesca, quinoa, bulgur. "A agricultura biológica fomenta a diversidade de culturas", assegura Ângelo Rocha. Nem por isso se destina simplesmente aos que optam por este específico regime alimentar ou serve apenas um nicho da população. Essa ideia errada nasceu nas grandes superfícies, locais onde estes alimentos são mais caros, como lembra o vice-presidente da Interbio: "Vendia-lhes as alfaces a 250 escudos e via-as depois a 750 o quilo, criando a sensação de que estes produtos eram um luxo. Ainda hoje fazem isso, apesar de os preços estarem muito mais acessíveis, com exceção das importações."

Paga-se mais 30%, mas compra-se um produto que passa por um apertado controlo de certificação, em que os consumidores podem confiar. No caso da agricultura convencional, ninguém fiscaliza a utilização de pesticidas. A lei existe, mas será sempre cumprida?

25%
Média anual de crescimento da produção biológica, na Europa, entre 1990 e 2000
EM BUSCA DO CORPO 'LIMPO'
Paga-se bem por alimentos que podem ter mais 20% de matéria seca e que, por isso, são superiores em nutrientes. Pelo menos quanto aos citrinos, Amílcar Duarte, 48 anos, agrónomo da Universidade do Algarve, já tem certezas absolutas: "Na agricultura biológica existe maior percentagem de polpa e menor de casca. O azoto utilizado no modo comum de cultivo faz com que a casca se torne mais espessa e a percentagem de sumo diminua. A quantidade de vitamina C também é superior, quando não se utilizam químicos."
 
A nutricionista Paula Ravasco, 34 anos, investigadora do Instituto de Medicina Molecular, não encontra publicações que evidenciem o impacto dos biológicos na saúde de quem os consome com regularidade. "A proteção das células conseguese com qualquer alimento, desde que se respeitem as quantidades preconizadas na pirâmide", diz. Quanto ao conteúdo nutricional, "não está demonstrado qualquer benefício". No entanto, defende que "se uma pessoa tiver possibilidade de escolher, estes produtos poderão apresentar um sabor diferente por não levarem adição de químicos". A nutricionista acrescenta que os alimentos convencionais crescem com demasiada rapidez, à custa do azoto nas águas da cultura. Como consequência direta, têm, na sua matéria, muito mais líquido e, por isso, a quantidade que se ingere é maior para atingir o mesmo nível de saciedade. "Os produtos biológicos são mais concentrados, estimulando os recetores do paladar e fazendo com que se coma menos volume de determinado alimento", explica Paula Ravasco.

A médica Cristina Sales defende, com veemência, as vantagens para a saúde dos produtos biológicos. E, ao contrário de Paula Ravasco, já encontrou estudos que comprovam a sua opinião. Um deles, publicado no jornal Agronomy for a Sustainable Development, assegura que os produtos biológicos apresentam níveis superiores de vitaminas, ácidos gordos omega3, fenóis, polifenóis e resveratrol, e mais minerais como o cálcio, o magnésio e o ferro. "Comer biológico será sempre melhor, porque, à partida, tem 0% de substâncias tóxicas. Nos últimos 50 anos, apareceram milhares de agrotóxicos, químicos e corantes com os quais o nosso organismo não sabe lidar, acabando por arrumá-los, sobretudo, nas células gordas. O efeito que estas substâncias ali arrumadas podem ter é imprevisível", afirmou a especialista em Medicina Funcional Integrativa, à margem do 3.º Congresso Nacional de Agricultura Biológica, que decorreu, recentemente, em Braga.

€33
milhões Valor atualmente movimentado pela agricultura biológica, em mais de 120 países

LADO A LADO COM O PRODUTOR
Está uma manhã de sábado gélida. Nem por isso os consumidores habituais do mercado de Algés, nos arredores de Lisboa, a funcionar há menos de um ano, ficam em casa. Munidos de grossos casacos, luvas, cachecóis e sacos de compras, andam para a frente e para trás, analisando os produtos e os preços, nas diferentes bancas. Alguns clientes são tratados com deferência, porque esse é o espírito. Corta-se uma maçã com canivete e dá-se a provar, fala-se dos benefícios de alguns alimentos, há cumplicidade no ar.

Maria Isabel, 67 anos, tem o saco cheio de beringelas, batatas, castanhas, batatas-doces e uma alface. Contas feitas, gastou 15 euros. A quantidade que leva dá-lhe para toda a semana e até para presentear a irmã, que, desta vez, não a acompanhou nas compras matinais. "Pode ser mais caro, mas a qualidade é outra. Os produtos são naturais e não engordados à força. Não percebo como as pessoas continuam a comer tanta porcaria.", justifica-se. Antes de terminar o seu passeio, ainda compra alhos, cebolas, quivis e maçãs. Soma mais dois euros ao gasto inicial. Os mercados de rua têm crescido a um bom ritmo, em todo o País. Depois do sucesso alcançado no Príncipe Real, no centro de Lisboa, agora espalham-se por Matosinhos, Aveiro, Oeiras, Cascais e Algés. E a Agrobio, que organiza esses espaços de venda direta, anuncia outro, para breve, no Largo de Santos, em Lisboa. "Trata-se de uma valia para a cidade, pois provoca dinâmica. Além de ajudar a promover o modo de produção biológica e ser mais um ponto de escoamento para os agricultores", explica o presidente, Jaime Ferreira.

9,5%
Aumento do número de produtores biológicos, entre 2007 e 2008, na União Europeia, acompanhado de um acréscimo de 7,4% da área agrícola
  Joaquim Vicente, 69 anos, e Maria Beatriz, 64, saíram de Santarém às cinco e meia da manhã. Três horas depois, já tinham a banca montada no mercado de Algés e estavam a atender o primeiro freguês. Conhecem a maioria dos que ali param. Trocam dois dedos de conversa, mostram os seus produtos, fazem as contas num caderno quadriculado, pesam as compras numa balança à moda antiga, que convive com uma grande calculadora e um telemóvel. Em cada semana, levam de volta uma média de 250 euros. "Produzimos menos porque não usamos fertilizantes, mas compensa. Eu e a minha mulher tínhamos muitos problemas alérgicos e com este tipo de alimentação melhorámos em 80 por cento", revela Joaquim.

1 600
Número de produtores biológicos em Portugal, em 2005, quando, em 1993, não chegavam aos cem. Os hectares cultivados, por consequência, passaram de uma cifra insignificante para perto de 25 mil

HORTAS URBANAS
"Sabe-se hoje que um grande número de pesticidas está associado a doenças do sistema nervoso, alergias, alterações no balanço hormonal, diminuição da fertilidade, enfraquecimento do sistema imunitário e incidência de diversos tipos de cancro." É Jaime Ferreira quem o escreve num artigo, baseando-se na British Medical Association. Este panorama piora quando se pensa nos resíduos múltiplos, ao ingerirmos vários produtos de fabrico convencional.

Optar por um consumo biológico é fugir deste cenário, mas também pensar no ambiente. Este modo de produção agrícola diminui entre 48% e 60% as emissões de CO2, especialmente pela não utilização de pesticidas. Metade da energia gasta na agricultura relaciona-se com a produção industrial e o transporte de adubos de síntese.
Ao mesmo tempo, os biológicos combatem a monocultura, promovendo rotações no terreno, o uso de adubos verdes e a luta natural contra pragas e doenças. Com este tipo de atitude fomenta-se o equilíbrio da Terra e defende-se a biodiversidade.
São estes os princípios pregados nos cursos de formação dos agricultores urbanos que têm surgido nos arredores das grandes cidades. José do Rego, 70 anos, mexe-se no meio do seu talhão, com algum à-vontade. Ele e mais quatro vizinhos partilham uma horta comunitária, no Alto do Gaio, em Cascais. O tipógrafo encontrou neste hóbi, proporcionado pelo Gabinete Agenda XXI da autarquia, o passatempo ideal para queimar as horas da reforma. Mas, entretanto, sabe-a toda. "Ensinaram-me a fazer um produto para afastar as lagartas, usando um quilo de urtigas para dez litros de água, e pulverizando-o durante três dias para cima das minhas couves." Explica ainda que as ervas de cheiro, como os coentros ou o alecrim, afastam as pragas, e as borras de café assustam os gatos.
Alguns destes novos agricultores tinham noções de cultivo, mas estavam a zero, no que respeita aos truques do modo biológico. Hoje tratam a compostagem por tu e nem precisam de cábulas para combinar as sementes que devem viver lado a lado. O consumo dos produtos que tiram da terra funciona como uma ajuda ao orçamento familiar, promovelhes uma atitude mais saudável e, com as sobras, ainda fazem oferendas. Todos reconhecem o sabor legítimo dos alimentos que eles próprios retiram das hortas. Na Área Metropolitana do Porto, a empresa Lipor criou o projeto Horta à Porta e já atribuiu 429 talhões, formação adequada, um compostor para cada agricultor, um abrigo de ferramentas e água disponível para a rega. Neste momento, têm quase 1 400 pessoas em lista de espera.
Em Loures, a iniciativa vai mais longe, como explica Emília Figueiredo, 38 anos, vereadora do Desenvolvimento Socio-Económico. Diz que a Câmara decidiu apostar em "dinamizar localmente a economia e os mercados agrícolas, encontrando, na agricultura biológica e nas suas vantagens ambientais e sociais, uma importante ferramenta para o ordenamento e sustentabilidade do território". A autarquia assinou um protocolo com a Agrobio, para ações de formação e divulgação junto da população, lançamento de hortas comunitárias e empresariais, organização de um mercado de rua e introdução de alimentação biológica nas escolas.

15%
Estimativa máxima do crescimento anual do mercado de agricultura biológica
POLÍTICA NACIONAL, PRECISA-SE
O Poder Local está sensibilizado para esta alternativa à produção intensiva. E o Central? Cristina Hagatong e Eduardo Diniz falam pelo Gabinete de Planeamento e Políticas do Ministério da Agricultura. Defendem-se dos que criticam a falta de um plano estratégico para o setor. "Esse plano, onde definíamos metas, existiu até 2008. Hoje, estamos mais vocacionados para os apoios e parcerias." Garantem que nunca foi reprovada nenhuma das candidaturas ao PRODER, consideradas prioritárias e com níveis de apoio majorado. E reconhecem que o perfil dos candidatos está a mudar: os agrónomos biológicos são mais jovens e com melhores habilitações, e mostram-se dispostos a aceitar os desafios deste modo de produção.

Alfredo Cunhal Sendim, 43 anos, da Herdade do Freixo do Meio, em Montemor-o-Novo, encaixa na perfeição no retrato. Talvez por isso integre o grupo de peritos que o ministro António Serrano criou para acompanhar a reforma da política agrícola. É o único representante da área biológica. "O mercado só crescerá se o Estado assumir isso como uma estratégia nacional. Sabemos que este modo de produção apenas existe porque a União Europeia percebeu como era importante investir nele." Para estimular o Poder Central, elaborou um esboço de plano nacional, a ser entregue ao ministro, com contribuições de todo o setor, onde expõe as principais reivindicações de quem se dedica ao biológico. "O mais importante é criar consciência no consumidor ele tem de perceber que se trata de uma teia de problemas e não apenas de comer saudável e saboroso", indica Alfredo Sendim, que converteu a sua herdade há 12 anos "de uma forma pouca digna e passando por muitas dificuldades".
Apesar de se encontrar um pouco a leste dos problemas causados pela intensificação da agricultura convencional, o consumidor português, aos poucos, está a inclinar-se para os alimentos sem químicos. As razões que a socióloga Mónica Truninger, 38 anos que dedicou a sua tese de doutoramento à agricultura biológica e editou-a no livro O Campo Vem à Cidade, descobriu para tal mudança variam entre os sustos relacionados com a segurança alimentar, conseguir saúde do ponto de vista nutricional, procurar um sabor mais apurado, preocupação com o bem-estar animal e as vantagens ambientais. "As pessoas interessam-se, essencialmente, por consumir fruta e legumes, sobretudo os que se comem crus e os que nascem mais próximo da terra, como as alfaces ou os morangos", expõe a investigadora. O fenómeno é ainda urbano, embora com tendência para se disseminar, e quase um exclusivo da classe média/alta e da faixa etária dos 25 aos 49 anos. Por vezes, o empurrão dá-se com o nascimento do primeiro filho atualmente, já existem pediatras que aconselham uma alimentação infantil totalmente livre de pesticidas.
Quase tudo o que entra em casa de Sanda Pagaimo, 38 anos, engenheira informática, natural da Bósnia, dois filhos pequenos, tem selo biológico. E, de facto, ela enquadra-se na descrição sociológica de Mónica Truninger. Para o switch off pesou "o sabor dos alimentos e a questão ecológica". E quanto ao aumento da despesa 10% ou 20% é compensado pelo tempo que os produtos aguentam frescos, sem se estragarem. Por isso, ao começar o blogue Little Up Side Down Cake, há um ano, já fazia os bolos com produtos biológicos. Nunca pensou foi no êxito que viria a conquistar, nem que seria a primeira a certificar a sua produção doméstica, toda elaborada na moderna cozinha da sua casa, depois de pôr as crianças a dormir. Pagou cerca de 300 euros e, em junho, ganhou o selo bio. Agora, distribui os seus cupcakes, muffins, brownies e bolos à fatia pelas lojas Biocoop e Miósotis. Deliciosos, são o remate ideal para uma refeição toda ela isenta de químicos. Experimentar, de forma mais ou menos consciente, será sempre uma opção de cada um.

€18
milhões Volume de vendas de produtos bio, em 2008, na União Europeia. Três anos antes, já tinham sido avaliado em 14 milhões de euros

  
'Megafone' da saúde: o que dizem especialistas
  • "Em média, os alimentos biológicos têm níveis mais elevados de vitaminas e minerais (como cálcio, magnésio, ferro e crómio), de hidratos de carbono e proteínas. Neles há também mais antioxidantes que, entre outros benefícios, ajudam a prevenir o cancro. Não contêm aditivos alimentares que agravam problemas de saúde como as doenças do coração, osteoporose ou as dores de cabeça"
    SOLANGE BURRI, consultora em alimentação e autora do site Babysol
  • "Os recetores do paladar são influenciados pelo facto de os alimentos biológicos serem mais concentrados do que os convencionais. O paladar, ao ser estimulado pelo sabor intenso, transmite-nos a sensação de saciedade, rapidamente, fazendo com que se coma menos quantidade"
    PAULA RAVASCO, nutricionista e investigadora
  • "Os legumes e as frutas biológicos são ricos em antioxidantes. Quando estão ao sol, os produtos ganham a sua proteção antioxidante. Logo, quanto mais fértil for a terra e mais lento for o seu processo de crescimento, maior quantidade dessas substâncias vão ter"
    CRISTINA SALES, médica

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O Projecto Gota Ecológica

Bem Vindos ao "Spot da Gota".
Este Blog foi criado no âmbito da disciplina de área de projecto e tem como objectivo a divulgação do nosso trabalho assim como a sensibilização para com estes temas tão importantes que são: a água e a ecologia.
Nós somos um grupo de trabalho constituído por 4 elementos e estamos alerta dos perigos que afectam cada vez mais o nosso planeta.
Os gastos desnecessários de água são uma realidade que se tem vindo a agravar ao longo do tempo e actualmente estamos em risco de tornar a água num bem em extinção.
É  precisamente essa situação que todos nós devemos tentar evitar, contribuindo todos os dias!
Vão encontrar neste blog sugestões sobre como o podem fazer, assim como artigos de alerta e informações importantes sobre este tema.
Também iremos focar assuntos ecológicos, publicando uma vez mais sugestões e desafios.
Não se deixem ficar indiferentes nem cruzem os braços! Se todos agirmos, podemos fazer a diferença.